Cunhados, cunhadas e criados

Ainda a boa regra da moral se refere com minúcia aos deveres da mulher para com os irmãos e irmãs do mando.
De entre as regras fixadas, citaremos algumas que nos parecem de interesse:
Se o marido vive em boa harmonia com a mulher, é certamente porque seus pais aprovam essa união; e, se essa aprovação existe, certamente a mulher trata bem seus cunhados e cunhadas, cujo apelido é o mesmo, que todos devem honrar.
Este afeto não pode manifestar-se apenas por palavras e terá de revelar-se por ações, que provem uma intenção real.
A mulher do irmão mais velho está, por motivo do seu casamento, em lugar de maior respeito que qualquer das suas cunhadas, o que é natural pelos direitos que recebe do marido.
Deve, no entanto, ser para as suas cunhadas como uma irmã mais velha, carinhosa, bondosa, e gentil, oferecendo, sempre que tal seja necessário, o seu auxílio, quer por palavras (conselhos) quer por obras (exemplos).
Só com este procedimento poderá, aquela que já mostrou ser boa filha e boa esposa, mostrar também que é boa irmã.
Sendo assim, a nova filha será como que mais uma luz brilhante a dar claridade e alegria ao lar e honra à família.
Toda, aquela, que assim não proceder, será portadora da desgraça, e não só causará todos os possíveis danos, corno ainda será motivo da ruína da família que a recebeu em seu seio.

"As cunhadas são geralmente amigas da discórdia. Se os irmãos não podem viver juntos em paz e harmonia, devido às respectivas mulheres, melhor é que se espalhem pelos quatro oceanos.
Esta separação pode, em muitos casos, despertar-lhes sentimen¬tos adormecidos e torná-los desejosos de voltarem a encontrar-se.
Raras são as mulheres que têm mão em si, e a causa de todas ali questões é sempre o egoísmo, a inveja e a vaidade (defeitos gêmeos).
Se as mulheres pudessem desculpar os defeitos das outras, como perdoam os próprios, nunca haveria nota discordante na harmonia do lar.
A mulher, como todo o animal fraco que não pode vencer pela força, procura dominar pela astúcia, se o marido não se prepara para isso com inteligência e oportunidade o antídoto do veneno que pouco a pouco, lhe é ministrado, em pouco tempo está envenenado pela mulher que, separando-o da família, o coloca em situação de poder ser vencido com relativa facilidade.
Ai da mulher que dá ouvidos às criadas e que se esquece de que a função destas é servir e não conversar.
As criadas são quase sempre o rastilho da discórdia, que repentinamente surge numa família, sem que se saiba de onde e como apareceu.
As criadas, sendo mulheres como as patroas, não perdoam a sua condição de inferioridade e, sofrendo com o bem-estar das senhoras, regozijam com o sofrimento destas.
Se bem que a mulher do irmão mais velho tenha direitos que o casamento lhe deu, não deve menosprezar as mulheres dos irmãos mais novos, sobretudo quando estas se imponham pelo seu saber, pela Sua inteligência e pela sua educação.
A condição dá direitos, mas estes não podem ser absolutos, sem outros dotes que imponham a mulher".