Não deve a mulher usar de maneiras artificiosas para com o marido, nem deve ser extravagante no vestuário ou nos ornamentos.
Não deve a mulher juntar se a outras para, maldizer, nem deverá espreitar ou escutar às portas.
A mulher deve tratar o marido, como se este fosse um hóspede. Nas residências da nobreza ou de gente abastada, os compartimentos interiores, destinados às mulheres, estão separados dos outros, reservados aos homens. As portas dos compartimentos interiores devem ser todas guardadas por eunucos, e nem os homens poderão por elas entrar, nem as mulheres sair.
No Palácio Imperial, a etiqueta, à hora de recolher, deve ser a seguinte: A Imperatriz aguarda que se apaguem as luzes dos aposentos do Imperador e, então, em trajes menores, toma lugar a seu lado. Ao surgir a alvorada, os músicos executarão a melodia "Romper do dia", ao fundo da escada, que dá acesso aos aposentos. Então, a Imperatriz tange as cordas do instrumento adornado com pedras preciosas, que tem no seu quarto, como sinal indicativo de que vai sair. O porteiro do palácio faz soar a hora anunciadora de que está t1berta a porta, e os músicos executam a melodia "Nascer do Sol". Nessa ocasião, a Imperatriz retira-se para os seus aposentos privados e o Imperador dirige-se à sala da audiência.
Quando, numa família, a refeição é servida a todos, à mesma mesa, cada um tomará o lugar, que a sua idade compita. A mulher nunca tem lugar próprio e sentar-se-á sempre em relação ao lugar, que o marido ocupar.
Se o lar for turbulento, a ordem, que nele deve reinar, estará arruinada, assim como desaparecerá o bom governo da família se as mulheres e as crianças se derem à prática de risos desenfreados.
Mandam as regras da propriedade que a voz da mulher seja suave e baixa, sem que possa ser elevada, nem mesmo em presença de qualquer emoção.
A mulher deverá ver e ouvir apenas o necessário, e o seu aspecto deve ser sempre asseado e agradável.
A mulher virtuosa deve permanecer em sossego nos compartimentos interiores, procurando aumentar suas virtudes.
Os passeios constantes e as visitas aos templos e mosteiros não são sinal indicativo de virtude.
O asseio e o arranjo fazem parte de virtude da mulher. Mêncio disse:
- "Por maior beleza que uma mulher possua, se não for asseada, será como a linda flor que todos afastam de si pelo seu cheiro incomodativo".
A mulher não deverá falar em voz, alta, nem mesmo que, a distância, tenha, de responder a qualquer pergunta; não deve deixar que seu olhar vagueie de modo impróprio, denunciando curiosidade; não deverá andar com meneios de corpo, que revelem impudência; quando esteja de pé, deve estar firme, sem procurar encosto e, quando esteja sentada, não deverá dar movimento às pernas, nem afastar os joelhos.
No leito, deve a mulher deitar-se sempre de ventre para cima, apoiando a nuca no travesseiro e, por mais que sofra com a dor, nunca deverá despir-se para descansar.
O andar da mulher deve ser digno, aprumado e elegante.
Deve, a mulher, andar de cabeça erguida, olhos mal abertos, com as mãos colocadas em atitude de respeito. A sua respiração devo ser suave e regu1ar, não aparentando energia excessiva.
As mulheres não devem falar sobre negócios públicos, porque estes estão afetos apenas aos homens.
Quando a mulher tenha de sair à rua, deverá sempre velar seu rosto com um leque ou ventarola e, se for de noite, deverá levar consigo uma luz.
Quando marido e mulher passeiam juntos, a mulher deverá sempre tomar a esquerda do marido.
Nunca a mulher poderá viajar de carruagem com qualquer homem, que não seja seu marido ou seu pai, assim como não poderá comer a mesa com quaisquer outros homens, à exceção daqueles, ou de seus irmãos.
Até à velhice, nunca deverá a mulher sair dos compartimentos interiores, a não ser em caso de absoluta necessidade.
Dentro dos limites dos compartimentos interiores, devem permanecer as criadas, que sirvam as mulheres.
As famílias dos nobres e senhores não devem tomar parte em procissões em honra dos deuses, pelos lagos e montanhas, nem oferecer-lhes incenso, em público. A mulher, até nas suas orações e práticas religiosas, deve ser recatada.
Na província de Kiang tung, a mulher nunca sai de casa para assistir a qualquer divertimento. Pelo casamento manterá relações, t1penas por correspondência e troca de presentes, com os membros da família de seu marido, sem que alguma vez os veja.
A mulher, que receba ou faça visitas, descurará a educação dos filhos e passará a falar a estranhos nos negócios de seu marido. Esta é a razão porque as visitas são proibidas pelas regras da boa propriedade, há milhares de anos.
Confúcio aprovou sempre esta prática, como necessária à separação dos sexos.

